5. O que é LoRaWAN
Enquanto o LoRa define apenas a camada física (PHY) — ou seja, como os bits são transmitidos pelo ar — o LoRaWAN define as camadas superiores do protocolo, responsáveis por:
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Endereçamento dos dispositivos
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Segurança
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Autenticação
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Gerenciamento da rede
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Comunicação bidirecional
Em resumo:
LoRa = rádio (PHY)
LoRaWAN = protocolo de rede
5.1 Arquitetura de uma rede LoRaWAN
A arquitetura LoRaWAN segue um modelo estrela de estrelas, composto por quatro elementos principais:
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Dispositivos finais (End Devices)
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Gateways
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Network Server
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Application Server
Características principais
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Comunicação uplink (dispositivo → rede)
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Comunicação downlink (rede → dispositivo)
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Gateways atuam como pontes transparentes
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Inteligência concentrada no Network Server
5.2 Dispositivos finais (End Devices)
Os end devices são sensores, atuadores ou nós IoT que:
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Coletam dados
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Transmitem via LoRa
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Operam com bateria
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Possuem recursos limitados
Eles não se conectam a um gateway específico.
Uma mesma mensagem pode ser recebida por vários gateways simultaneamente.
➡️ O Network Server decide:
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Qual gateway usará para downlink
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Como gerenciar ADR, segurança e deduplicação
5.3 Gateways
Os gateways LoRaWAN:
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Recebem pacotes LoRa
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Encaminham os dados para o Network Server
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Não interpretam o payload
Funções do gateway
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Conversão RF → IP
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Timestamp dos pacotes
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Encaminhamento via Ethernet, Wi-Fi ou 4G/5G
🔎 Nota prática AU915
No Brasil:
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Gateways costumam operar com:
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8, 16 ou 64 canais
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O correto alinhamento do plano de canais AU915 é crítico
5.4 Network Server (Servidor de Rede)
O Network Server é o cérebro da rede LoRaWAN.
Ele é responsável por:
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Deduplicação de pacotes
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Gerenciamento de sessões
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ADR (Adaptive Data Rate)
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Controle de downlinks
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Segurança de rede
Exemplos:
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ChirpStack
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The Things Stack (TTN/TTS)
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Actility
5.5 Application Server
O Application Server:
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Recebe os dados já descriptografados
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Processa o payload
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Integra com sistemas externos
Exemplos de integração:
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MQTT
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HTTP/REST
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Webhooks
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Bancos de dados
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Dashboards IoT
🔎 Nota prática
Em muitas implementações modernas, o Application Server está integrado ao Network Server.
5.6 Segurança no LoRaWAN
A segurança é um dos pilares do LoRaWAN.
Princípios fundamentais
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Criptografia AES-128
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Chaves únicas por dispositivo
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Segurança de ponta a ponta
Chaves principais
| Chave | Função |
|---|---|
| AppKey | Ativação e derivação de chaves |
| NwkKey | Segurança de rede |
| AppSKey | Criptografia do payload |
| NwkSKey | Integridade e controle |
5.7 Métodos de ativação
5.7.1 OTAA — Over-The-Air Activation (recomendado)
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Dispositivo solicita ingresso na rede
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Chaves de sessão são geradas dinamicamente
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Maior segurança
✔️ Padrão recomendado no Brasil
5.7.2 ABP — Activation By Personalization
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Chaves configuradas manualmente
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Não há join
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Menor segurança
⚠️ Uso restrito a casos específicos
5.8 Classes de dispositivos
O LoRaWAN define três classes de dispositivos:
Classe A (obrigatória)
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Menor consumo de energia
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Downlink apenas após uplink
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Ideal para sensores a bateria
✔️ Classe mais usada no Brasil
Classe B
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Janelas de recepção adicionais
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Requer sincronização por beacons
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Maior consumo
Uso típico:
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Medição com horários fixos
Classe C
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Receptor quase sempre ligado
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Baixa latência de downlink
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Alto consumo
Uso típico:
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Atuadores alimentados por energia elétrica
5.9 Comunicação uplink e downlink
Uplink
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Dispositivo → rede
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Assíncrono
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Predominante
Downlink
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Rede → dispositivo
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Recurso escasso
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Deve ser usado com cautela
🔎 Nota AU915
O downlink no AU915 utiliza:
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Canais específicos
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Maior largura de banda
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Planejamento cuidadoso para não saturar a rede
Encerramento do Capítulo 5
Neste capítulo você aprendeu:
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Diferença entre LoRa e LoRaWAN
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Arquitetura da rede
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Funções de dispositivos, gateways e servidores
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Segurança e chaves
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Métodos de ativação
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Classes A, B e C
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Uplink vs downlink
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