9. Introdução ao ADR
O ADR (Adaptive Data Rate) é um mecanismo do LoRaWAN que permite ajustar dinamicamente os parâmetros de transmissão de um dispositivo, com o objetivo de:
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Reduzir o consumo de bateria
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Melhorar a capacidade da rede
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Otimizar o uso do espectro
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Manter a confiabilidade da comunicação
O ADR atua principalmente sobre:
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Spreading Factor (SF)
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Potência de transmissão
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Data Rate (DR)
9.1 Por que o ADR é necessário?
Sem ADR, muitos dispositivos:
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Operariam com SF alto desnecessariamente
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Ocupariam o canal por mais tempo
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Reduziriam a escalabilidade da rede
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Consumiriam mais bateria
🔎 Exemplo prático
Um sensor próximo ao gateway usando SF12:
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Funciona ✔️
-
Mas consome bateria demais ❌
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E prejudica toda a rede ❌
O ADR evita exatamente esse cenário.
9.2 Onde o ADR atua
O ADR é um mecanismo híbrido:
No dispositivo (End Device)
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Envia informações de link
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Aceita ou não ajustes
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Aplica novos parâmetros
No Network Server
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Analisa histórico de uplinks
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Calcula qualidade do link
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Decide novos valores de DR e potência
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Envia comandos MAC
➡️ A inteligência principal está no Network Server.
9.3 Informações usadas pelo ADR
Para tomar decisões, o Network Server analisa:
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RSSI
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SNR
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Número de gateways que receberam o pacote
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Histórico de uplinks
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Margem de link
Essas informações são acumuladas ao longo de várias transmissões, não apenas uma.
9.4 Funcionamento básico do ADR
Passo a passo simplificado
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O dispositivo envia uplinks com ADR habilitado
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O servidor coleta métricas de link
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O servidor calcula a link margin
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O servidor decide:
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Reduzir SF?
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Reduzir potência?
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O servidor envia um LinkADRReq
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O dispositivo responde com LinkADRAns
9.5 Comandos MAC relacionados ao ADR
LinkADRReq
Enviado pelo Network Server para:
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Alterar Data Rate
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Alterar potência
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Ativar/desativar canais
LinkADRAns
Resposta do dispositivo indicando:
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Se aceitou os parâmetros
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Se houve erro
🔎 Importante
O ADR é implementado via comandos MAC, não via payload de aplicação.
9.6 ADR no plano AU915
No AU915, o ADR é ainda mais importante devido a:
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Grande número de canais (64 uplinks)
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Uso de sub-bandas
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Ausência de duty cycle fixo
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Existência de dwell time
Estratégia típica no Brasil
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Dispositivos próximos:
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DR3 (SF7 / 125 kHz)
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Potência reduzida
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Dispositivos intermediários:
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DR1–DR2 (SF9–SF8)
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Dispositivos distantes:
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DR0 (SF10)
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SF11/SF12 apenas se necessário
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9.7 Quando o ADR deve ser usado
Cenários ideais para ADR ✔️
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Dispositivos fixos
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Sensores estáticos
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Prédios, cidades, universidades
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Redes privadas e públicas estáveis
Cenários ruins para ADR ❌
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Dispositivos móveis
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Rastreamento (asset tracking)
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Nós com variação rápida de sinal
🔎 Boa prática
Para dispositivos móveis, desativar ADR.
9.8 Impacto do ADR na bateria
Ao reduzir:
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SF
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Potência
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Time on Air
O ADR pode:
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Aumentar a vida útil da bateria em ordens de grandeza
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Reduzir drasticamente o consumo médio
📌 Exemplo
SF12 → SF7
➡️ Redução de ToA de ~25×
➡️ Economia direta de energia
9.9 Impacto do ADR na capacidade da rede
Com ADR ativo:
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Menos colisões
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Mais dispositivos por gateway
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Melhor uso do espectro
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Downlink mais controlado
Sem ADR:
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Saturação precoce
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Latência
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Falhas de join e downlink
9.10 Problemas comuns com ADR (AU915)
⚠️ ADR ativado em dispositivos móveis
⚠️ Histórico insuficiente de uplinks
⚠️ Sub-bandas mal configuradas
⚠️ Gateways mal posicionados
⚠️ Potência mínima excessivamente baixa
9.11 Boas práticas de ADR no Brasil
✔️ Ativar ADR em dispositivos fixos
✔️ Garantir boa cobertura de gateways
✔️ Evitar SF alto como padrão
✔️ Monitorar métricas de link
✔️ Validar LinkADRReq / LinkADRAns
✔️ Ajustar políticas no Network Server
Encerramento do Capítulo 9
Neste capítulo você aprendeu:
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O que é o ADR
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Como ele funciona
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Onde atua (device × network)
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Comandos MAC envolvidos
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Impacto em bateria e escalabilidade
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Boas práticas específicas para AU915
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